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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Descaso com a Educação

A qualidade do ensino não será garantida apenas pela destinação adequada de recursos para a Educação, mas este certamente é um indicador claro de prioridades. Estados que fazem previsões orçamentárias aquém das necessidades de suas redes públicas estão, de forma explícita, manifestando descaso com a formação básica dos estudantes e afrontando um dever constitucional.

Esse descaso está sendo denunciado por mais um estudo do Ministério da Educação, que aponta a omissão de 22 Estados em relação ao cumprimento de normas previstas no Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), considerado um avanço como parâmetro de aplicação mínima de recursos por aluno.

Aprovado no ano passado, o conjunto de normas é até agora, pela conclusão do levantamento do MEC, uma mera sigla ignorada pelas autoridades de 22 Estados. As previsões orçamentárias estão abaixo do mínimo recomendado em todos os níveis do ensino sob atribuição das unidades federativas.

É lamentável constatar que apenas cinco Estados se disponham a aplicar verbas acima do mínimo nas séries iniciais do ensino, entre os quais Amapá, Espírito Santo e Roraima. Mais lamentável ainda é perceber que Estados com economias fortes não adotam as recomendações do índice aprovado pelo Conselho Nacional de Educação, repetindo nesse caso o mesmo comportamento adotado em relação a outras normas e sugestões tratadas com igual desprezo.

São condutas inexplicáveis e invariavelmente contraditórias quando confrontadas com a retórica de campanhas eleitorais. Os índices definidos no CAQi são considerados decisivos para que, a partir dos recursos aplicados, o ensino persiga não só o atendimento de demandas em termos de quantidade, mas principalmente de qualidade.

Se um Estado não destina o mínimo necessário à Educação, as ações essenciais para qualificar um serviço público essencial serão comprometidas, com deficiências de equipamentos e material didático, baixos salários pagos aos professores, instalações precárias. É um desleixo que se traduz em desestímulo para docentes e alunos e, como consequência, em baixos rendimentos e formação insuficiente.

Além da desobediência a todas as referências para a melhoria do ensino no que se refere à aplicação de verbas, os Estados são relapsos também ao desconsiderarem outros instrumentos disponíveis, aplicados com êxito em situações de exceção. Há resistência quase generalizada à avaliação permanente dos professores. Por que os docentes, que submetem seus alunos a testes de aprendizado, se sentem no direito de recusar exames de competência que os beneficiariam com mais atualização e qualificação?

São conhecidos os mecanismos que acionam essa recusa. Trata-se da defesa equivocada de interesses corporativos, os mesmos que atacam a meritocracia em detrimento de qualquer iniciativa em defesa do aperfeiçoamento do ensino e do interesse público. O desrespeito aos índices mínimos de aplicação no ensino é apenas mais um exemplo de como governos pouco responsáveis, muitas vezes condescendentes com as posições de categorias intransigentes, conspiram contra a formação dos jovens e o país.


Fonte: Zero Hora (RS)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Investimento previsto por aluno sobe R$ 300

De R$ 1.414,85, a quantia por estudante passará para R$ 1.722,05, de acordo com portaria dos ministérios da Educação e da Fazenda, publicada ontem no Diário Oficial da União

O valor mínimo previsto pelo governo para ser investido em cada aluno da Educação básica (ensino fundamental e Médio) da rede pública durante 2011 será cerca de R$ 300 a mais que o de 2010. De R$ 1.414,85, a quantia por estudante passará para R$ 1.722,05, de acordo com portaria dos ministérios da Educação e da Fazenda, publicada ontem no Diário Oficial da União.

Os recursos provêm do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que deve ter uma receita de R$ 94,48 bilhões em 2011 – aumento de 13,7% em relação a 2010 (estimado em R$ 83,09 bilhões).

A contribuição dos Estados e municípios deve atingir R$ 86,68 bilhões. A complementação da União ao Fundeb corresponde a 10% desse montante, ou seja, R$ 8,66 bilhões.

Desse total, R$ 7,80 bilhões serão repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento daEducação a nove Estados que não devem atingir o valor mínimo anual por aluno com sua própria arrecadação. São eles Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí.

Outros R$ 866 milhões estão reservados para complementar o pagamento do piso salarial deprofessores e financiar programas de melhoria da qualidade da Educação.

O que é o Fundeb - Em vigor desde 2007 e previsto até 2020, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) recebe parcelas de diferentes impostos. Uma vez arrecadado um montante, o governo redistribui recursos pelo país conforme necessidades apontadas no censo Escolar do ano anterior e complementando investimentos em regiões que não conseguiram arrecadar o suficiente para bancar o valor estabelecido por aluno.

Fonte: Zero Hora (RS)